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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Campanha de vacinação usada como isca para atacar civis

Campanha de vacinação usada como isca para atacar civis

Administrador
Publicada em 06/11/2009 00:00

Exército da RDC lançou ataques em sete pontos onde MSF imunizava crianças contra o sarampo

06/11/2009 – Sete pontos de vacinação de Médicos Sem Fronteiras (MSF), onde milhares de civis estavam aglomerados, foram alvejados durante ataques realizados pelo Exército da República Democrática do Congo (RDC) contra as Forças Democráticas da Libertação de Ruanda ((FDLR) em Kivu Norte, na RDC. MSF denuncia esse inaceitável uso da ajuda humanitária para propósitos militares.

MSF lançou uma campanha de vacinação em massa no distrito de Masisi para apoiar a resposta do Ministério da Saúde à epidemia de sarampo. No dia 17 de outubro, as equipes médicas de MSF realizavam a vacinação de milhares de crianças em sete locais diferentes das zonas de Ngomashi e Kimua, controladas pela FDLR na época. Todas as partes envolvidas no conflito haviam dado garantias de segurança para que MSF pudesse realizar a vacinação nesses locais no dia marcado. No entanto, o Exército nacional congolês lançou ataques em cada um dos locais de vacinação. Todas as pessoas que vieram trazer seus filhos para serem imunizados foram forçadas a fugir do pesado tiroteio. Espalhados por todos os lados, eles agora estão em áreas que desconhecemos e não podem ser vacinados. MSF teve de interromper suas atividades nessas zonas e evacuar as equipes para a cidade de Goma.

“Sentimo-nos como se tivéssemos sido usados como isca”, afirma Luis Encinas, chefe dos programas de MSF na África Central. “Os ataques coincidiram com o início da nossa vacinação e puseram a vida dos civis em risco extremo. Milhares de pessoas, e as equipes de MSF, ficaram presas na linha de fogo. O ataque foi um uso inaceitável de nossa ação humanitária para cumprir objetivos militares. Como MSF vai ser percebida por essa população agora? Estamos comprometidos a denunciar essa situação, uma vez que essas ações comprometem seriamente nossa neutralidade”.

MSF é uma organização médica humanitária independente que oferece ajuda médica imparcial de acordo com os rígidos princípios de neutralidade. Essa neutralidade faz com que seja possível que as equipes de MSF possam realizar vacinações em zonas controladas pela FDLR que, até esse episódio, mantinham-se inacessíveis para a equipe do Ministério da Saúde.

Além disso, observou-se nos últimos meses um preocupante aumento dos ataques contra organizações humanitárias por vários grupos armados no norte e sul de Kivu.

“MSF pede que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o trabalho das organizações humanitárias”, acrescenta Meinie Nicolai, diretora de operações de MSF. “Senão é a população que paga o preço. Os que já estão sobrecarregados pela extrema violência e deslocamento sem fim são os que podem acabar sem ajuda humanitária”.

Durante a campanha na região de Massis, 165 mil crianças com entre seis meses e 15 anos foram vacinadas contra sarampo. Em Masisi, MSF oferece apoio ao hospital, centro de saúde e administra clínicas móveis e campanhas de vacinação. MSF também leva cuidados médicos às pessoas nos distritos de Walikale, Rutshuru e Lubero, assim como na província de Kivu Sul. MSF trabalha em Kivu Norte desde 1992.

Novos confrontos registrados em Darfur Norte

Novos confrontos registrados em Darfur Norte

Administrador
Publicada em 04/11/2009 00:00

Doze pessoas feridas da cidade de Shangil Tobaya foram atendidas por equipes de Médicos Sem Fronteiras na região

04/11/2009 – Confrontos perto de Shangil Tobaya, cidade em Darfur Norte, provocaram vários danos e deixaram centenas de famílias desabrigadas. A organização médica humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou 12 feridos desde o dia 20 de outubro em suas unidades médicas. Nove deles tiveram de ser transferidos para o Hospital Escola Al-Fashir, estando atualmente em condições de saúde estável.

MSF distribuiu itens domésticos essenciais para cerca de 3,3 mil pessoas afetadas por esses recentes conflitos que buscaram refúgio em Um Dressaya e Shangil Tobaya. No entanto, a distribuição adicional de itens não alimentares é necessária devido à chegada de mais deslocados internos nos últimos dias.

Os itens domésticos – como lâminas de plástico, cobertores, colchões, sabão e galões d’água – vão ajudar as pessoas a lidar com a situação, enquanto outras necessidades adicionais estão sendo abordadas por outras organizações na região.

“Algumas pessoas tiveram de fugir com poucos de seus pertences e comida, e estão com muito medo, por isso MSF enviou uma equipe para assistência imediata”, contou Christine Buesser, vice-chefe de missão de MSF no Sudão.

MSF também enviou uma equipe composta por pessoal médico e trabalhadores de saúde comunitários para acompanhar a situação de saúde geral dos deslocados e para conduzir levantamentos nutricionais rápidos nas crianças. Elas vão ser incluídas na campanha de vacinação de pólio, que é patrocinada pelo Ministério da Saúde e tem apoio de MSF.

MSF está se associando a outros atores no Sul de Darfur para oferecer assistência em áreas para onde outros grupos menores de pessoas fugiram.

MSF tem trabalhado no Sudão desde 1979 e atualmente tem projetos no Estado Mar Vermelho, Kordofan Sul, Darfur Norte, Abyei e Sul do Sudão.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Nova equipe de MSF consegue entrar na Faixa de Gaza

Grupo de seis profissionais vai fortalecer atendimento pós-cirúrgico para os gravemente feridos durante os confrontos.

Fonte: MSF

19/01/2009 – Uma equipe cirúrgica de Médicos Sem Fronteiras (MSF) e outros funcionários entraram na Faixa de Gaza neste domingo. Eles vão oferecer serviços cirúrgicos essenciais para os gravemente feridos nas últimas três semanas durante os confrontos entre as forças israelenses e o Hamas.

A equipe internacional é composta por seis pessoas – um cirurgião vascular, um cirurgião ortopedista, um anestesista, uma enfermeira, um logístico e um coordenador de terreno.

A equipe teve de esperar em Jerusalém por dez dias pela autorização do governo de Israel e para ter a garantia do Exército de Israel de que poderia entrar com segurança pela Passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza, uma região muito perigosa e exposta. Outros pontos de entrada em Gaza não foram disponibilizados para MSF.

A equipe entrou com um comboio da Comissão Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e seguiu para a Cidade de Gaza, onde MSF mantém uma clínica pós-operatória e oferece suprimentos médicos para os hospitais.

Um carregamento de 21 toneladas de material médico enviado da Europa por MSF no dia 15 de janeiro ainda estava no Aeroporto Ben Gurion, no sábado, esperando ser inspecionado pela alfândega. Entre os suprimentos estão medicamentos, antibióticos, anestésicos, curativos, materiais cirúrgicos e duas tendas médicas infláveis, que vão abrigar as salas de operação e uma unidade de tratamento intensivo de dez leitos, nas quais a equipe vai trabalhar.

Equipe médica extra a caminho

Uma outra equipe medica de três pessoas – composta por um cirurgião, um anestesista e um coordenador de terreno – saiu do Cairo, no Egito, rumo a Rafah, uma cidade ao sul com a fronteira de Gaza. Depois de entrarem na região, eles vão para o norte da Cidade de Gaza. No entanto, o Egito está pedindo aprovação por escrito de todos os governos dos expatriados para entrar em Gaza, uma medida burocrática que provoca atrasos.

Uma terceira equipe de MSF composta de quatro pessoas – um cirurgião, uma enfermeira de emergência, um logístico e um cordenador de emergência – vai chegar em Rafah nesta segunda-feira. Eles vão tentar entrar em Gaza e, dependendo das condições de segurança, vão fazer um levantamento das necessidades no sul.

Adaptando as atividades em Gaza em meio ao perigo

Como muitos feridos e doentes estão presos em suas casas, a equipe médica palestina de MSF tem arriscado suas vidas para visitar os pacientes e realizar consultas domicilares, provendo o máximo de cuidados de saúde possível. Desde o dia 14 de janeiro, 317 pessoas foram tratadas, entre elas 92 com menos de 15 anos de idade e 56 mulheres.

A relativa calma ontem em Gaza permitiu o aumento da atividade na clínica pó-operatória de MSF na Cidade de Gaza. As clínicas em Beit Lahia, no norte de Gaza e em Khan Younis, no sul, continuam fechadas devido à violência e extrema insegurança.


Médicos Sem Fronteiras faz campanha de vacinação contra a febre amarela em Serra Leoa

Surto da doença fez governo do país decidir imunizar toda a população do distrito de Bo, que tem cerca de 525 mil habitantes

Fonte: MSF
19/01/2009 – Médicos Sem Fronteiras (MSF) está participando de uma campanha de vacinação em resposta ao surto de febre amarela em Serra Leoa. A campanha de cinco dias teve início no dia dez de janeiro e tem como objetivo a imunização de 525 mil pessoas.

Trinta e cinco equipes de vacinação lideradas por MSF, com dez pessoas cada uma, estão trabalhando em Bo, a segunda maior cidade do país, e em suas redondezas. A doença, transmitida pela picada de mosquito, é tão séria que a confirmação de um único caso é suficiente para a realização de uma campanha de vacinação em massa.

Em resposta ao surto, as autoridades sanitárias de Serra Leoa decidiram vacinar toda a população do distrito de Bo, que tem aproximadamente 525 mil habitantes. MSF tem por responsabilidade imunizar 225 mil pessoas, ação realizada com a cooperação do Ministério da Saúde, que está encarregado de vacinar o restante da população.

"As pessoas que contraem a febre amarela correm um alto risco de morte e, como muitas pessoas na área não são vacinadas contra a doença, é importante ter acesso e vacinar essas pessoas rapidamente, para prevenir que essa doença se espalhe", contou Johan Mast, chefe de missão de MSF na Serra Leoa.

Não há tratamento específico disponível para a febre amarela e a única opção é tratar os sintomas, que incluem febre, icterícia e hemorragias. Entre os que contraem a forma mais grave da doença, cerca da metade morre. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a febre amarela provoque a morte de 30 mil pessosa por ano, principalmente na África. Surtos da doença podem ser prevenidos e controlados com campanhas de vacinação em massa, cujo foco são adultos, com exceção das mulheres grávidas, assim como crianças com mais de nove meses de idade.

Na semana passada, equipes de MSF deram início às atividades de comunicação para informar as pessoas no distrito sobre a campanha e a importância de se vacinar.

"Nós temos carros com auto-falantes circulando, cartazes espalhados pelo vilarejo e centros de saúde e mensagens no rádio para que as pessoas tomem conhecimento da campanha", afirmou Vikki Stienen, coordenadora de emergência de MSF em Bo. "Nós também temos promotores de saúde usando megafones e que tiveram encontros com os líderes locais, professores e autoridades do governo".

A febre amarela é endêmica em Serra Leoa e as imunizações de rotina só tiveram início em 2002, tendo como foco bebês com entre nove e 12 meses, mas deixando a maioria da população desprotegida contra o vírus.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Novos pacientes com Ebola em Kasai Oeste


Ao todo, 46 pessoas com sintomas da febre hemorrágica, mas apenas sete já tiveram resultados positivos confirmados pelo laboratório

Fonte: MSF


14/01/2009 – Até terça-feira, um total de 46 pacientes apresentavam sintomas da feibre hemorrágica ebola na província de Kasai Oeste, parte central da República Democrática do Congo (RDC). Sete pacientes tiveram resultados positivos para o vírus do ebola depois de terem amostras de fluidos corporais analisadas em diferentes laboratórios. Dos sete confirmados, um veio a falecer. Os 39 pacientes restantes são todos "casos suspeitos", dos quais 13 faleceram.

Atualmente, há três pacientes suspeitos de ter contraído o ebola em um centro de isolamento construído por Médicos Sem Fronteiras em Kampungu, um vilarejo localizado no centro da província. Os primeiros dois pacientes são o que chamamos de "pessoas de contato". Isso significa que eles tiveram algum tipo de contato com um dos pacientes suspeitos de estar doente ou com os que tiveram testes positivos para a detecção do ebola. Nesse caso, os dois primeiros pacientes tiveram contato com uma mulher que havia morrido e cuja suspeita de ebola foi confirmada. Um paciente é sua filha de três anos de idade e outra é sua irmã, que tomou conta da criança desde que ela morreu.

É necessário monitorar as "pessoas de contato" para quebrar a linha de contaminação do surto de ebola. A equipe de MSF no terreno está acompanhando no momento cerca de 200 pessoas.

O terceiro paciente no centro de isolamento vem de um vilarejo a 20 quilômetros de Kampungu e não teve contato com nenhum outro doente anteriormente.

"Nós tememos que o vírus também possa estar localizado fora de Kampungu e Kaluamba," diz Dr. Michel Van Herp, epidemiologista de MSF. "No entanto, até segunda-feira à noite, seus sintomas pareciam mais com febre tifóide. De qualquer maneira, enquanto não tivermos a confirmação de que seu resultado é negativo para o Ebola ou que ele pare de mostrar sintomas, ele vai ficar no centro de isolamento. Nossa equipe colheu amostras de todos os três pacientes para confirmar se o vírus está presente. Até o presente momento, todos os três estão bem. Estão comendo, caminhando sozinhos e não precisam de rehidratação", acrescentou Van Herp.

Para evitar a contaminação no centro de isolamento, MSF toma algumas medidas. A equipe está seguindo um protocolo restrito para garantir que as equipes médicas, as famílias dos pacientes e os próprios pacientes não se contaminem.

Os pacientes são mantidos no isolamento até que os sintomas desapareçam. Isso significa que eles sobreviveram à suspeita da infecção do ebola ou não estavam infectados pelo vírus mortal. De fato, a contaminação por Ebola só pode ser confirmada através da análise de amostras de fluidos corporais realizadas por laboratórios especializados.

Os sintomas do ebola podem ser similares a outras doenças como malária, febre tifóide e desinteria bacteriana (shigelose), em sua primeira fase. Por essa razão, MSF também oferece medicação contra malária e antibióticos durante a fase em que a febre hemorrágica ainda não foi confirmada. MSF também oferece apoio psicológico.

Até agora, entre os sete pacientes com resultado positivo para ebola, apenas um morreu. Essa parece ser um índice de morte muito baixo para um surto de ebola.

"É verdade que não estamos falando sobre as taxas de mortalidade habituais de um surto de ebola. A razão para isso é que, apesar de ter sido confirmado a existência do ebola, ainda não foi identificado com qual tipo estamos lidando", explica Van Herp. "O tipo Zaire do ebola mata entre 70% a 90% dos pacientes infectados, mas nós podemos estar lidando com um ebola menos letal. Nós também não podemos esquecer que 13 pacientes suspeitos também morreram, fazendo com que o número de mortos subisse para 14".

No ano passado, um surto de ebola na mesma área matou cerca de 186 pessoas. No entanto, há indicações de que outras doenças mortais estariam envolvidas.

Uma equipe de MSF, formada por 18 pessoas, está trabalhando em Kasai Oeste. O grupo é composto por médicos, um epidemiologista, um psicólogo, enfermeiros, especialistas em água e saneamento, promotores de saúde e logísticos.

Gaza: MSF pede que trabalho humanitário possa ser feito de maneira segura

Mesmo com autorização das autoridades israelenses, equipes não têm conseguido atender os pacientes devido à violência

Fonte: MSF

15/01/2009 – Apesar das declarações dadas pelas autoridades isralenses, a deterioração da situação de segurança na Faixa de Gaza está limitando de maneira extrema a assistência humanitária internacional. Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem dado apoio às unidades de saúde palestinas, que já não conseguem mais dar conta de milhares de pacientes feridos e pede que todas as partes envolvidas no conflito permitam que a ajuda médica possa entrar e trabalhar de maneira segura na Faixa de Gaza.

Os tiroteios e bombardeios realizados pelo Exército de Israel na Faixa de Gaza não permitem que as equipes de MSF cheguem ou saiam, mesmo com a autorização das autoridades israelenses. A trégua diária de três horas que Israel anunciou não está sendo plenamente respeitada. Uma vez que a medida só se aplica à Cidade de Gaza, não há possibilidade dos trabalhadores humanitários usarem de maneira segura a passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza, a única área autorizada pelas autoridades israelenses para a movimentação de nossa equipe.

MSF não obteve a autorização para usar a passagem de Kerem Shalom, que é utilizada para a entrada de suprimentos. A organização denuncia este bloqueio e a falta de escolha que enfrenta: expor as equipes ao perigo para ajudar a quem precisa.

MSF pede que Israel autorize a entrada de seus trabalhadores humanitários através de pontos alternativos de entrada na Faixa de Gaza, como Kerem Shalom. Essa é uma condição indispensável para oferecer assistência adequada à população de Gaza.

"As pessoas vivendo na Faixa de Gaza não têm como fugiu e estão encurraladas pela violência", afirma Franck Joncret, chefe de missão de MSF nos Territórios Palestinos. "É extremamente importante que a ajuda externa possa chegar até eles. Mas até agora, os riscos enfrentados pelas agências internacionais e palestinas são muito altos, impossibilitando a realização de assistência humanitária. Israel e Hamas têm que assumir suas responsabilidades para facilitar o trabalho das organizações humanitárias".

Enquanto a emergência dos hospitais em Gaza enfrentam falta de cirurgiões, uma equipe cirúrgica de MSF está em Jerusalém há uma semana esperando poder entrar na Faixa. O Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, pediu e conta com o apoio da equipe médica e dos medicamentos fornecidos por MSF há mais de duas semanas.

"Estamos em contato regular com os hospitais em Gaza", conta Cécile Barbou, coordenadora médica de MSF na Faixa de Gaza. "Seus departamentos de emergência e unidades de terapia intensiva estão sobrecarregadas pelo grande fluxo de doentes e feridos, especialmente durante a noite. Os departamentos cirúrgicos estão trabalhando sem parar. Às vezes, duas operações são realizadas ao mesmo tempo no mesmo bloco cirúrgico. A equipe do hospital está exausta".

Desde que as operações militares israelenses começaram no dia 27 de dezembro, tem sido muito difícil oferecer ajuda humanitária. A clínica de MSF na Cidade de Gaza continua aberta, mas é extremamente perigoso para as pessoas se deslocarem e apenas alguns moradores conseguem chegar às unidades médicas.

Parte das equipes médicas palestinas são abastecidas com kits de emergência, de maneira que possam tratar pacientes que moram nos bairros onde eles residem. Medicamentos e suprimentos foram retirados dos estoques de MSF para serem usados nos hospitais de Gaza, que sofriam com a falta de remédios.

Além disso, a entrega de 21 toneladas de suprimentos médicos emergencias de MSF está a caminho. A carga inclui medicamentos (analgésicos, anestésicos e antibióticos), suprimentos médicos e cirúrgicos, equipamentos logísticos, entre os quais um hospital móvel com duas salas de operação e uma unidade de tratamento intensivo com dez leitos.

As partes envolvidas no conflito devem respeitar os trabalhadores de saúde e garantir sua entrada segura na Faixa de Gaza.

MSF trabalha na Faixa de Gaza desde 1989. Atualmente, a equipe inclui três profissionais internacionais e 70 palestinos, 35 dos quais são médicos. Os programas regulares incluem acompanhamento pós-operatórios, fisioterapia, serviços pediátricos e apoio médico e psicológico.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Onda de violência na Somália obriga milhares a fugir


Na região de Galgaduud conflitos fizeram com que a população buscasse refúgio nas florestas, vivendo de forma precária

13/01/2009 - Uma nova onde de violência na região de Galgaduud, Somália Central, deixou muitos feridos e obrigou milhares a fugir.

Após fortes confrontos entre dois grupos no domingo passado, as equipes médicas somalis da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) trataram 46 feridos no Hospital Istarlin, na cidade de Guri El. Com isso, subiu para 86 o número de feridos tratados por MSF desde que os conflitos tiveram início há duas semanas.

Entre 45 mil e 60 mil pessoas teriam fugido de Guri El e da capital regional Dhusa Mareb para buscar refúgio em áreas rurais, ficando sem nenhum acesso à assistência necessária.

"Em apenas um dia, a situação piorou na área de Galgaduud," explicou Tom Quinn, que coordena os programas de MSF na Somália. "Guri El se tornou uma cidade fantasma, assim como Dhusa Mareb. Nós atendíamos cerca de 200 crianças por semana, e passamos a não atender nenhuma, o que é extremamente preocupante sabendo que as necessidades são tão agudas. Dezenas de milhares de mulheres, crianças e idosos tiveram de fugir e agora estão enfrentando dificuldades para conseguir comida, água potável e atendimento médico.

Os relatos iniciais são alarmantes. As equipes de MSF foram informadas de que famílias estão acampando embaixo de árvores durante o dia e dormindo ao relento à noite. O impacto do conflito na área, onde a comida já é escassa, pode levar a uma situação desastrosa, particularmente se combinada com falta de água e assistência médica. Em épocas mais estáveis, o Hospital Isralin, que recebe apoio de MSF, trataria entre 80 e cem crianças gravemente desnutridas por mês.

"Alcançar as pessoas que fugiram da violência e conseguir ajudá-las é crucial, mas tem se tornado incrivelmente difícil na região de Galgaduud", conta Quinn. "Tanto o transporte aéreo quanto o por estrada foi restringido devido à situação perigosa na área, que fez com que o fornecimento de materiais médicos e suprimentos se tornasse mais difícil".

Após dias de negociação, MSF começou a enviar caminhões-pipa para os deslocados de Guri El e Dhusa Mareb. No entanto, oferecer atendimento médico para que fugiram para a floresta tem se provado extremamente difícil devido ao caráter instável do conflito.

Superar as dificuldades para oferecer ajuda humanitária é uma prioridade para MSF na região de Galgaduud, e também em várias outras da Somália, onde as necessidades são incrivelmente agudas. Enquanto a atenção internacional está majoritariamente focada nos problemas da pirataria no alto mar da Somália, o sofrimento de milhares de somalis continua ignorado.

Médicos Sem Fronteiras na Somália

MSF mantém programas médicos em nove regiões sul e central da Somália. A organização trabalha em Guri El (Hospital Istarlin) na região de Galgaduud desde 2006.

Em 2008, uma media de 3,7 mil pessoas por mês passaram por consultas médicas e ganharam remédios no hospital e cerca de 330 foram internadas por mês. MSF também administra dois postos de saúde na área: um em Dhusa Mareb, na capital de Galgaduud, e outra em Hinder, que abriu em janeiro de 2008. No ano passado, cerca de 1,6 mil consultas foram realizadas nesses dois postos de saúde por mês.


Foto: Michael Goldfarb

Fonte: Medicos Sem Fronteiras - MSF Brasil www.msf.org.br

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

MSF - Questões de segurança complicam situação em Gaza


Equipe palestina continua providenciando atendimento nas áreas onde moram, assistência é limitada

12/01/2009 - A trégua nos ataques não tem contribuído para que os trabalhadores humanitários façam seu trabalho e para que pacientes cheguem aos hospitais. Ela abrange apenas a cidade de Gaza e não as áreas urbanas nos arredores. A clínica de cuidados pós-operatórios de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Gaza está aberta todos os dias, mas, por causa dos riscos, poucos pacientes conseguem chegar.

Nossa equipe médica palestina continua providenciando atendimento nas áreas próximas a sua localização, mas esse atendimento é muito limitado em relação às enormes necessidades.

Na quarta-feira, 7 de janeiro, nossas equipes visitaram três escolas que alojam desabrigados. Suas necessidades médicas foram avaliadas e medicamentos e suprimentos médicos distribuídos.

Nossas equipes estão em contato constante com os hospitais palestinos e relatam que os funcionários estão exautos por causa do fluxo de pacientes feridos, especialmente durante a noite.

Uma equipe de cirurgia de MSF está atualemnte em Jerusalém. Ela inclui cirurgiões vasculares e gerais, além de enfermeiros para a sala de cirurgia e um anestesista especializado em tratamento intensivo. MSF espera que eles consigam entrar na Faixa de Gaza assim que possível. Essa equipe apoiaria as equipes médicas palestinas no Hospital de Shifa.

MSF também espera autorização para enviar 21 toneladas de suprimentos médicos, incluindo duas tendas infláveis. Elas seriam usadas para aumentar a capacidade de pacientes na unidade de tratamento intensivo e, possivelmente, configurar uma sala de cirurgia adicional. Um logístico de MSF também se juntará à equipe para construir essa base.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Israel envia reservistas para a Faixa de Gaza

Fonte BBC Brasil

Bombardeio israelense na Faixa de Gaza
Israel diz ter realizado 12 ataques na madrugada de segunda-feira
O Exército de Israel confirmou ter realizado 12 ataques aéreos contra a Faixa de Gaza na madrugada desta segunda-feira, no 17º dia desde o início da ofensiva militar - até agora, a média de ataques diários variava entre 30 e 60.

O país também enviou unidades de reservistas para o território palestino, mas negou que isso signifique uma intensificação da ofensiva.

Há relatos de que pelo menos um foguete foi lançado contra Israel a partir de Gaza no início da manhã.

Ainda nesta segunda-feira, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora enviado especial do chamado Quarteto (grupo formado por Rússia, União Européia, ONU e Estados Unidos para negociações de paz no Oriente Médio), chega ao Cairo para uma rodada de conversas com representantes egípcios, israelenses e palestinos.

Vítimas

Autoridades dos serviços de saúde palestinos afirmam que quase 900 pessoas foram mortas desde que a ofensiva começou, em 27 de dezembro.

Um jornalista da BBC que trabalha em Gaza disse nesta segunda-feira que o suprimento de alimentos e remédios está cada vez mais baixo e que a população está com medo de sair às ruas.

Dois médicos noruegueses que estão atuando no Hospital de Al-Shifa, o principal do território palestino, afirmaram à BBC que os pacientes estão morrendo porque faltam especialistas e equipamentos básicos.

Além disso, por causa dos freqüentes cortes na eletricidade, muitas cirurgias estão sendo conduzidas à luz de lanternas.

Segundo eles, metade dos pacientes são civis, inclusive crianças pequenas com ferimentos provocados por projéteis e destroços de explosões.

Os médicos disseram ainda que 12 funcionários dos serviços de saúde foram mortos em serviço, quando suas ambulâncias foram atingidas por bombardeios apesar de estarem claramente identificadas.

Objetivos

Do lado israelense, segundo as autoridades, pelo menos 13 pessoas morreram desde o início da ofensiva.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do governo Mark Regev disse à BBC que o Exército vai manter a pressão sobre o grupo palestino Hamas.

"Acreditamos que nossa pressão está sendo eficiente em destruir o aparato militar do grupo", afirmou.

Segundo o Exército israelense, alguns reservistas convocados estão sendo usados para renovar as tropas que já estão atuando em Gaza, mas que isso não significa uma escalada da ofensiva.

No domingo, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que o país está se aproximando dos objetivos da sua campanha militar na Faixa de Gaza e deu sinais de que ela deve continuar.

"Este é o momento de transformar as conquistas nos objetivos que nos impusemos", afirmou Olmert. "Israel está se aproximando dos objetivos que se impôs, mas ainda são necessários mais paciência, determinação e esforço."

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Provável surto de ebola mata 13 na República Democrática do Congo

Provável surto de ebola mata 13 na República Democrática do Congo

Quatro testes para a doença deram positivo, diz ONG.
Equipe de especialistas tenta conter o surto.

Da EFE, em Nairóbi

Treze pessoas, de um total de 42 pacientes, morreram de uma febre hemorrágica, que pode ser ebola, na província de Kasai Ocidental, na região central da República Democrática do Congo (RDC), confirmou nesta quarta-feira (7) a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Apesar de mais de 20 amostras sanguíneas serem enviadas a diferentes laboratórios da capital congolesa, Kinshasa, e a outros da África do Sul e Gabão, por enquanto somente quatro delas deram positivo no teste de ebola, segundo a organização.

A MSF especifica, no entanto, que ainda se desconhecem os resultados dos exames realizados nos 13 mortos.

Uma equipe de 18 especialistas enviados pela MSF à área do surto tenta controlar a expansão do surto.

A febre do vírus ebola, que se manifesta com febre, vômitos e diarréias hemorrágicas, adquire seu nome do rio Ebola, no noroeste da RDC, onde foi identificado pela primeira vez, em 1976, quando 280 pessoas morreram na localidade de Yambuku.


A MSF concentra seus esforços em isolar e fornecer remédios e atendimento psicológico às pessoas infectadas em um centro da localidade de Kampungu, perto de Kaluamba, epicentro do surto na província de Kasai Ocidental.

Em segundo lugar, trata de seguir a evolução de cerca de 200 pessoas que mantiveram contato com doentes.

Ao mesmo tempo, desenvolve uma campanha educativa sobre o vírus entre a população e oferece assistência médica gratuita na área afetada pelo surto, a fim de superar as barreiras financeiras que impedem as famílias de manter cuidados sanitários.

O ebola é altamente contagioso e o vírus predominante na RDC, denominado Ebola Zaire, tem um índice de mortandade entre 60% e 90%. Tanto parentes dos pacientes quanto o próprio pessoal sanitário são expostos a um possível contágio.

Em 2007, também na região de Kasai Ocidental, a febre ebola matou 187 pessoas. Outro surto grave de ebola na RDC foi o registrado em 1995 na localidade de Kikwit, onde morreram 245 de um total de 315 pessoas infectadas.

A reaparição do ebola na RDC é um problema a mais na crítica situação humanitária que sofre o país, onde os últimos confrontos entre os soldados dos rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) e as tropas governamentais obrigaram mais de 250 mil pessoas a deixarem suas casas no interior do país.´

Fonte: g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL946591-5602,00.html

ONU exige cessar-fogo, mas Israel mantém ataques

Fonte:BBC Brasil
Fumaça na Cidade de Gaza após ataque israelense (Getty Images, 8/01)

Israel continuou a bombardear a Faixa de Gaza durante a madrugada desta sexta-feira, depois de o Conselho de Segurança ter aprovado uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato das hostilidades na região.

A resolução, esboçada pela Grã-Bretanha e aprovada por 14 dos 15 membros do órgão, pede, além do cessar-fogo, o livre acesso de agências de auxílio humanitário a Gaza e que os países-membros intensifiquem os esforços para fazer com que se alcance uma trégua duradoura.

Este foi o primeiro posicionamento oficial do Conselho de Segurança da ONU em relação ao conflito desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro.

Após a aprovação da resolução, a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse que seu país continuará a agir pensando na segurança de seus cidadãos.

Israel lançou pelo menos 50 ataques durante a madrugada desta sexta-feira. A Força Aérea israelense diz que atingiu depósitos de armas e locais usados para lançamentos de foguetes.

Médicos palestinos dizem que pelo menos cinco membros de uma famíla, entre eles uma criança, morreram em um ataque contra uma casa. Há informações de que outro bombardeio destruiu por completo um prédio de cinco andares.

As estimativas são de que, em quase duas semanas, o conflito tenha matado 770 palestinos e 14 israelenses.

'Um passo à frente'

O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, preferiu se abster da votação na sede da ONU em Nova York, embora a secretária de Estado, Condoleezza Rice, tenha classificado a resolução como “um passo à frente”.

Ela afirmou que, no entanto, os Estados Unidos preferem esperar os resultados da mediação egípcia no conflito.

Rice e os ministros das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, e da França, Bernard Kouchner, passaram o dia em intensas negociações com os representantes dos países árabes.

Pouco antes da votação, os três países acabaram retirando sua oposição a uma resolução que pedia um cessar-fogo imediato na região.

Nas discussões anteriores, EUA, França e Grã-Bretanha, defendiam que o CS apresentasse um documento mais ameno.

“Nesta noite, finalmente, as Nações Unidas estão falando claramente a uma só voz. A ONU está pedindo claramente por um cessar-fogo, por uma ação contra o contrabando de armas (para o Hamas) e pela abertura das fronteiras (de Gaza)”, disse o ministro britânico David Miliband.

A resolução contempla uma das demandas de Israel, que exige o fim do contrabando de armamentos pelo Hamas na fronteira de Gaza com o Egito.

Já o Hamas exige que um acordo de trégua inclua o fim do bloqueio a Gaza.

Enquanto isso, os esforços por um acordo de cessar-fogo continuam sob a mediação egípcia, no Cairo.

Um alto-funcionário da Defesa israelense encontra-se no Cairo para ouvir os detalhes da proposta de trégua elaborada pelo Egito e a França, enquanto uma delegação do Hamas é esperada na cidade para “discussões paralelas”.

Novos ataques

Enquanto o Conselho de Segurança votava a resolução, Israel aparentemente empreendeu novos ataques contra a Faixa de Gaza.

Segundo autoridades médicas palestinas, pelo menos seis pessoas teriam morrido na ofensiva desta noite.

Em uma informação que não pôde ser confirmada de maneira independente, o Hamas afirmou que uma bomba teria destruído um bloco de apartamentos de cinco andares ao sul de Gaza.

Interrupção na ajuda humanitária

Na quinta-feira, a ONU anunciou ter suspendido suas operações de ajuda humanitária na Faixa de Gaza devido ao perigo que seus funcionários correm com os ataques israelenses.

"Nós suspendemos nossas operações em Gaza até que as autoridades israelenses possam garantir a nossa segurança", disse o porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness.

"Nossas instalações foram atingidas, nossos funcionários foram mortos, apesar do fato de as autoridades israelenses terem as coordenadas sobre nossas instalações e de todos os nossos movimentos serem coordenados com o Exército israelense", acrescentou.

"É com grande pesar que a UNWRA foi forçada a tomar essa difícil decisão", completou Gunness.

A UNWRA comunicou a decisão depois que uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas em um ataque israelense contra uma empilhadeira da agência, perto da passagem de Erez.

Cruz Vermelha

Também na quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha acusou Israel de não cumprir sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.

Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, segundo a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpos de suas mães.

A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio.

"Esse é um incidente chocante", disse o chefe de operações da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach, em um comunicado.

"O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assistência aos feridos", acrescentou. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levássemos auxílio aos feridos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Escute - Realidade em Gaza

Nathalia Watkins, enviada da RFI à fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel

08/01/2009

Fonte: RFI

Escute - Ataques do Líbano atingem norte de Israel

Paula Schimdt, correspondente da RFI no Líbano

08/01/2009

Fonte: RFI Libano

ESCUTE - CELSO AMORIN VAI A FAIXA DE GAZA

Abir Youssef al-Dweik , brasileira residente na Faixa de Gaza

08/01/2009

Fonte: RFI - Reportagem realizada por Carolina Nogueira

Cruz Vermelha acusa Israel de dificultar acesso a feridos

Fonte: Folha on Line

A Cruz Vermelha Internacional acusou Israel nesta quinta-feira de atrasos "inaceitáveis" no acesso de trabalhadores humanitários a casas atingidas por projéteis em Gaza, onde foram encontrados 15 mortos e 18 feridos. Ao menos 700 palestinos morreram e outros 3.000 ficaram feridos nos 13 dias de ofensiva à faixa de Gaza.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), baseado em Genebra, disse que o Exército de Israel se recusou a permitir que trabalhadores humanitários chegassem ao local, em Zeitoun.

Israel disse que o atraso foi causado por confrontos na área e acusou o Hamas de usar civis palestinos como escudos humanos. Desde quarta-feira, Israel realiza uma trégua diária de três horas para permitir a remoção de civis e o envio de ajuda. No entanto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban ki-Moon, afirmou que Israel atacou um comboio da organização durante a pausa desta quinta-feira, matando dois motoristas.

Trabalhadores humanitários da Cruz Vermelha Internacional e do Crescente Vermelho palestino receberam permissão para entrar nas casas atacadas durante a trégua de quarta-feira, quatro dias após as construções terem sido atingidas.

"Esse é um incidente chocante", afirmou Pierre Wettach, chefe da CICV para a região.

Crianças

A equipe de resgate "encontrou quatro crianças pequenas próximas às suas mães mortas em uma das casas. Elas estavam muito fracas para ficarem de pé. Um homem também foi encontrado vivo, fraco demais para ficar de pé", acrescentou.

"No todo, havia ao menos 12 corpos em colchões de uma das casas".

Dan Balilty/AP
Tropas israelenses se dirigem à fronteira com a faixa de Gaza; agência da ONU suspende atividades após ataque a comboio
Tropas israelenses se dirigem à fronteira com a faixa de Gaza; agência da ONU suspende atividades após ataque a comboio

A organização afirmou que as crianças e os feridos tiveram de ser transportados em carroças puxadas por mulas até as ambulâncias.

"Os militares israelenses devem ter ficado a par da situação, mas não deram assistência aos feridos", afirma comunicado da organização. "Nem tornaram possível para nós ou para o Crescente Vermelho palestino ajudar os feridos.

A organização afirmou que "nessa instância, o Exército de Israel falhou em cumprir com sua obrigação sob a lei internacional de se preocupar e remover os feridos". O comunicado diz ainda que "o atraso em permitir o acesso aos serviços de resgate é inaceitável".

O CICV disse ainda que Israel recusou demandas da organização para prestar socorro em outras casas destruídas da mesma vizinhança da cidade de Gaza, onde tinham relatos de mais feridos.

Resgates

Ainda nesta quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde disse que 21 palestinos que trabalham no socorro às vítimas foram mortos, e outros 30 ficaram feridos desde o início da operação.

"Os israelenses estão atirando em todo mundo que tenta buscar os corpos", afirmou Haider Eid, professor da universidade Al Quds, à Folha Online, por telefone, de Gaza.

"Eu estava com dois ativistas internacionais, um do Canadá e outro da Espanha", disse o palestino. "Eles estavam em uma ambulância que buscava corpos em Jabaliya, começaram a disparar contra a ambulância, e dois médicos que estavam dentro da ambulância ficaram feridos."

Exército

O Exército de Israel não comentou detalhes da declaração do CICV, mas disse que coopera de perto com organizações humanitárias para ajudar os civis.

"As Forças de Defesa de Israel (FDI) estão engajadas em uma batalha contra a organização terrorista Hamas, que deliberadamente usa civis palestinos como escudos humanos", afirma comunicado do Exército israelense.

"As FDI de forma alguma miram em alvos civis e tem demonstrado sua vontade de abortar operações para salvar vidas civis e se arriscam para ajudar civis inocentes." Israel disse que irá investigar qualquer queixa formal contra a conduta dos militares durante a atual operação militar.

O embaixador de Israel em Genebra, Aharon Leshno-Yaar, negou que seu país esteja falhando em cumprir com suas obrigações humanitárias.

Outros grupos de ajuda também afirmam que chegar a Gaza continua sendo um problema. Nesta quinta-feira, a ONU suspendeu sua ajuda humanitária a Gaza após um tanque de guerra atirar contra um comboio da organização.

O CICV disse que irá continuar suas operações, apesar de um de seus comboios ter ficado sob fogo israelense na passagem de Netzarim. Um motorista ficou levemente ferido.

ONU suspende operações de ajuda na Faixa de Gaza

BBC Brasil
Mesquita bombardeada na Cidade de Gaza
Cruz Vermelha acusa Israel de não prestar assistência a civis feridos
A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta quinta-feira que está suspendendo suas operações de ajuda humanitária na Faixa de Gaza devido ao perigo que seus funcionários correm com os ataques israelenses.

"Nós suspendemos nossas operações em Gaza até que as autoridades israelenses possam garantir a nossa segurança", disse o porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness.

"Nossas instalações foram atingidas, nossos funcionários foram mortos, apesar do fato de as autoridades israelenses terem as coordenadas sobre nossas instalações e de todos os nossos movimentos serem coordenados com o Exército israelense", acrescentou.

"É com grande pesar que a UNWRA foi forçada a tomar essa difícil decisão", completou Gunness.

A UNWRA já havia afirmado que uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas em um ataque israelense contra uma empilhadeira da agência, perto da passagem de Erez.

O Exército israelense não comentou as mortes, mas disse que o episódio estava sendo investigado.

Cruz Vermelha

Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.

Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, segundo a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpo de suas mães.

A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio.

"Esse é um incidente chocante", disse o chefe de operãções da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach, em um comunicado.

"O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assitência aos feridos", acrescentou. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levassemos auxílio aos feridos."

Israel

Um porta-voz do governo israelense, Mak Regev, disse não ter conhecimento do incidente citado pela Cruz Vermelha, mas afirmou que Israel apóia o trabalho da entidade em Gaza.

"Não tenho conhecimento, e peço desculpas, sobre os detalhes desse caso específico", afirmou Regev. "O que eu posso dizer é que Israel tem uma relação muito boa com a Cruz Vermelha."

"Nós abrimos canais de comunicação", acrescentou. "Se há problemas de coordenação, de logística, ou outras dificuldades, nós podemos solucionar essas questões."

"Nós apoiamos o que a Cruz Vermelha está fazendo em Gaza, queremos ajudá-los a fazer seu trabalho, nós vemos como nosso papel ajudar esses trabalhadores humanitários em Gaza e estamos tentando trabalhar com eles da maneira mais eficaz possível", disse o porta-voz.

A ação militar israelense na Faixa de Gaza teve início em 27 de dezembro e já deixou cerca de 700 palestinos e 11 israelenses mortos.

Como Israel não permite a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza, as informações sobre o número de mortos não podem ser confirmadas.

Segundo o governo de Israel, o objetivo da ação é atingir os militantes do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza, e interromper o lançamento de foguetes contra o território israelense.

Escute o Audio - Ataques do Líbano atingem norte de Israel

Ataques do Líbano atingem norte de Israel

Reportagem publicada em 08/01/2009 Última atualização 08/01/2009 13:04 TU

RFI

Tropas da força de paz da Onu reforçaram o controle no sul do Líbano para evitar novos ataques contra Israel. Foto: Reuters

Tropas da força de paz da Onu reforçaram o controle no sul do Líbano para evitar novos ataques contra Israel.
Foto: Reuters

Vários foguetes foram disparados do sul do Líbano sobre o norte de Israel na manhã desta quinta-feira (8), deixando 2 pessoas feridas nas proximidades de Naharyia, a oeste da Galiléia, segundo fontes militares israelenses. Israel contra atacou imediatamente, lançando também foguetes contra o sul do Líbano, segundo um porta-voz do exército israelense.

O porta-voz do grupo radical Hamas no Líbano declarou que o movimento islâmico não é o autor dos disparos.

O movimento xiita libanês Hezbollah, implantado no sul do país, declarou não ter nenhuma informação imediata sobre os tiros de foguetes e informou ao governo libanês que não está implicado nos ataques contra o norte de Israel.

Líderes do movimento xiita garantiram às autoridades do país que respeitam a resolução 1701 da ONU que garantiu o fim das hostilidades entre israelenses e os militantes do Hezbollah em 2006.

O governo libanês condenou os disparos de foguetes contra Israel.

Fontes militares israelenses acreditam que os ataques foram disparados por palestinos residentes no território libanês e que querem envolver o Líbano no conflito.

A força das Nações Unidas no Líbano, a Finul, informou que vai abrir investigações para descobrir a autoria dos ataques contra Israel.

Um fonte militar, que preferiu não ser identificada, declarou à agência de notícias France Presse que a Finul decretou um "estado de alerta reforçado" a partir das 8 horas da manhã, pelo horário local. Unidades militares da força de paz da Onu foram deslocadas para ocupar todas as áreas da fronteira com Israel para evitar novos lançamentos de foguetes.

Essa foi a primeira vez desde junho de 2007 que foguetes voltaram a ser disparados do sul do Líbano contra Israel. Na época, os ataques foram realizados por facções palestinas e não causaram vítimas.

Durante a guerra entre Israel e o Hezbollah em 2006, inúmeros foguetes foram disparados contra o território israelense, matando pessoas. Na quarta-feira (7), o líder do grupo Hezbollah, Hassan Nasrallah, havia afirmado estar preparado para uma nova guerra contra Israel, ameaçando o Estado hebreu de represálias ainda maiores do que as que ocorreram no conflito em 2006 se Israel decidir estender os atuais combates contra o Hamas na Faixa de Gaza ao Hezbollah no Líbano.

Na última terça-feira (6), o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, havia alertado o Hezbollah sobre os riscos de qualquer tentativa do movimento xiita de iniciar um novo confronto na fronteira entre Israel e Libano.

Gaza

Paralelamente aos ataques envolvendo o Líbano, os combates do exército israelense na Faixa de Gaza se intensificaram nesta quinta-feira, décimo terceiro dia da ofensiva militar. Israel realizou durante a madrugada vários ataques aéreos no sul de Gaza, na cidade de Rafah, proxima à fronteira com o Egito. O exército de Israel informou que visava destruir túneis que serviriam para o contrabando de armas para o Hamas.

Um bombardeio contra uma mesquita na cidade de Gaza na noite de quarta-feira destruiu o prédio e deixou três pessoas feridas, segundo fontes palestinas. As operações militares israelenses foram retomadas após uma breve interrupção de três horas na quarta-feira para a entrada de ajuda humanitária em Gaza.

O governo israelense declarou aceitar “em princípio” o plano franco-egípcio de cessar-fogo. Nesta quinta-feira, um conselheiro político do ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, participa no Cairo de um reunião para discutir as possibilidades de uma eventual trégua nos combates.

ÁUDIO

Nathalia Watkins, enviada da RFI à fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel

08/01/2009

Repórter on line

Para Piorar - Foguetes do Líbano contra Israel aumentam temor de nova guerra

Mapa do Líbano



Pelo menos três foguetes Katiushas foram disparados na manhã desta quinta-feira contra o norte de Israel vindos do sul do Líbano, aumentando o temor de que o país árabe possa ser arrastado para uma nova guerra com o vizinho.

Como medida de segurança, o sul do Líbano foi colocado em alerta máximo. Várias escolas tiveram suas aulas canceladas, e há notícias de que moradores que vivem nas cidades ao longo da fronteira já estariam deixando suas casas e rumando para o norte.

Em 2006, Israel e o Hezbollah lutaram um violento conflito que matou 1.200 libaneses, a maioria civis, e 160 israelenses, a maioria militares.

Segundo as autoridades israelenses, os foguetes não causaram vítimas, mas deixaram cinco pessoas feridas e outras em estado de choque. Recentemente, Israel já havia declarado que retaliaria qualquer ataque vindo do Líbano.

Após o ataque, que atingiu a região da cidade israelense de Nahariya, o Exército de Israel lançou um breve fogo de artilharia, atingindo os arredores das cidades libanesas de Dhaira e Tair Harfa, sem deixar vítimas.

Os ataques vindos do Líbano ocorreram após uma das noites de ataques mais intensas desde que a ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza começou com 60 ataques aéreos contra alvos que, segundo o governo israelense, incluem um depósito de armas do Hamas e túneis perto da fronteira com o Egito que seriam usados para o contrabando de armas.

O Exército libanês e tropas das forças de paz da ONU (UNIFIL) realizaram patrulhas para tentar identificar os autores dos disparos. O Hamas negou que tenha disparado contra Israel a partir do Líbano.

A imprensa local especulou que a fação Frente Popular para a Libertação da Palestina – Comando Geral (FPLP-CG), do líder Ahmad Jibril, poderia estar por trás do ataque. Jibril não confirmou nem negou a autoria do ataque.

Tensão

Desde que a ofensiva israelense em Gaza começou, há 13 dias, libaneses temem que o Hezbollah possa atacar o território israelense, abrindo uma segunda frente de combate para Israel.

O líder do grupo xiita disse na quarta-feira em discurso que suas forças estavam em alerta máximo e prontas para lutar contra Israel em caso de agressão. Foi a primeira vez que Nasrallah falou da possibilidade de uma nova guerra com os israelenses.

Antes disso, Nasrallah se limitava a criticar Israel, os países árabes e a comunidade internacional por nada fazer em favor dos palestinos.

O Hezbollah, assim como o Hamas, recebe forte apoio político e militar de Síria e Irã, países considerados inimigos por Israel.

Nos últimos dias, os militares libaneses e da Unifil (a força da ONU no sul do Líbano) estavam em alerta, realizando mais patrulhas para evitar que ataques fossem realizados contra Israel no sul do país.

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, já havia declarado que se Israel atacasse o sul do Líbano, o governo entenderia como um ataque à todo o Líbano.

Pressão

Após a guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006, o grupo xiita tem estado sob enorme pressão de seus rivais políticos no Líbano para se desarmar.

Atualmente, o Hezbollah faz parte de um governo de união nacional com poder de veto sobre decisões importantes.

Em fevereiro de 2008, um alto comandante militar do grupo xiita, Imad Mughniyeh, foi assassinado em um atentado com carro-bomba em Damasco, na Síria.

O Hezbollah culpou Israel pela morte de Mughniyeh e jurou vingança.

Em novembro, sete foguetes Katiushas foram encontrados no sul do Líbano por tropas da ONU e Exército libanês. Eles estavam programados e prontos para serem disparados contra Israel.

O Hezbollah, então, pediu uma séria investigação sobre o incidente e negou ter posicionado os foguetes.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

RDC: Treze pessoas morreram com suspeita de ebola

Fonte: RDC: MSF www.msf.org.br

Mais de 40 pessoas podem ter contraído a doença na província de Kasai Oeste, afirmam equipes de Médicos Sem Fronteiras

07/01/2009 – Um total de 42 pacientes foram registrados com suspeita de ter contraído a febre hemorrágica ebola na província de Kasai Oeste, na região central da República Democrática do Congo (RDC). Deste total, 13 morreram. Estima-se que o epicentro da epidemia seja no vilarejo de Kaluamba, no centro da província.

Mais de 20 amostras de sangue e fezes foram enviadas para laboratórios da capital Kinshasa e também para África do Sul e Gabão. Até esta quarta-feira, dez resultados haviam retornado, quatro deles positivos. No entanto, o resultado dos testes realizados com os falecidos ainda não saiu. Um laboratório próximo e capaz de oferecer resultados em um período de 24 horas ajudaria a distinguir os pacientes com ebola dos que sofrem de outras doenças, cujos primeiros sintomas são semelhantes aos da febre hemorrágica.

A equipe de Médicos Sem Fronteiras (MSF) adotou quatro estratégias principais para lidar com o surto. Primeiro, eles isolam os possíveis doentes e oferecem atendimento médico e psicológico em um centro de isolamento no vilarejo de Kampungu, perto de Kaluamba. Atualmente, um paciente está lá recebendo tratamento e se recupera bem.

Em seguida, as equipes "mapeam" as pessoas que possam ter algum tipo de contato com a doença. No momento, MSF acompanha diariamente 200 pessoas que tiveram algum tipo de contato com o ebola. Em terceiro lugar, MSF informa a população sobre a doença e ensina como evitar a transmissão.

Por fim, as equipes também oferecem cuidados de saúde gratuitamente nas áreas afetadas e vão continuar a fazê-lo enquanto o surto não for contido. Ao fazer isso, MSF espera reduzir as barreiras financeiras que impedem as pessoas de ter acesso a cuidados de saúde e também diminuir a desconfiança dos que acreditam que os focos do ebola estão nos centros de saúde.

O ebola é uma doença viral altamente contagiosa e mortal. Ela é transmitida através do contato com fluidos corporais de pessoas infectadas (sangue, vômito, fezes). Além disso, devido à proximidade com pacientes, tanto os profissionais de saúde quanto as famílias têm grande risco de contrair a doença. MSF também assegura que os sepultamentos sejam realizados seguindo as medidas de proteção necessárias.

Uma equipe formada por 18 profissionais está trabalhando no momento em Kasai Oeste. O grupo é formado por médicos, enfermeiros, especialistas em tratamento de água e saneamento, agentes de saúde e logísticos. Mais um epidemiologista e um especialista em água e saneamento partiu de Bruxelas nesta terça-feira.

Gaza: Ofensiva militar atinge palestinos e equipes de ajuda


Fonte: MSF www.msf.org.br

Em apenas 11 dias, bombardeios provocaram a morte de 600 pessoas, deixaram quase 3 mil feridas e os hospitais sobrecarregados e com falta de material médico


07/01/2009 – A ofensiva militar isralense, que em apenas 11 dias provocou cerca de 600 mortes e deixou 2.950 pessoas feridas, tem ganhado proporções alarmantes e já pode ser considerado um dos episódios mais violentos da região, atingindo as populações de maneira indiscriminada. "Um milhão e meio de palestinos na Faixa de Gaza, quase metade crianças, são alvos de balas e bombardeios incessantes", afirma Franck Joncret, chefe de missão de Médicos Sem Fronteiras. Quem poderia imaginar que esse rolo compresssor massacraria os civis, que não têm como fugir e estão presos em um eclave densamente populado?"

A ofensiva militar semeou o terror em meio a uma população urbana já aprisionada e que não ousa sair de casa para receber cuidados médicos. A insegurança atinge igualmente os organismos de ajuda: as equipes humanitárias e sanitárias palestinas são mortas, hospitais e ambulâncias são bombardeados.

No entanto, os serviços de urgência dos hospitais continuam sobrecarregados. Nos dez primeiros dias, o Hospital Referencial de Al Shifa realizou mais de 300 intervenções cirúrgicas. "Os seis blocos operatórios do hospital funcionam a pleno vapor, realizando dez operações cada um, simultaneamente", conta Cécile Barbou, coordenadora médica de MSF em Gaza. "Os cirurgiões palestinos e a equipe médica estão exaustos e não conseguem dar conta do número de feridos". A maioria das urgências recebida está relacionada aos feridos graves e politraumáticos, principalmente os atingidos no tórax, abdômen ou rosto.

As equipes de MSF em Gaza, formada por três profissionais internacionais e 70 palestinos, têm tentado diminuir a sobrecarga dos hospitais palestinos, atendendo os feridos e distribuindo material médico e medicamentos a inúmeras unidades, que já estão quase sem nenhum estoque. Atualmente, cerca de 20 profissionais de MSF levam cuidados médicos à casa de cerca de 40 pacientes, diariamente. "A insegurança é tão grande que nossas possibilidades de deslocamento e de levar socorro são extremamente limitadas", explica Jessica Pourraz, responsável pelas atividades de MSF em Gaza. "Precisamos ter acesso livre aos feridos 24 horas por dia e que os civis possam vir sozinhos aos hospitais", defende.

A pedido dos médicos do Hospital de Al Shifa, MSF enviou uma equipe médica cirúrgica (um cirurgião, um anestesista, uma enfermeira) e um hospital móvel, dotado de uma ala operatória e outra de cuidados intensivos, para aumentar a capacidade de atender os feridos. MSF deve obter as autorizações necessárias para fazer entrar uma equipe de emergência na Faixa de Gaza, assim como todo o material necessário para os atendimentos.

Dadas as circunstâncias, e levando em conta as restrições à entrada de pessoal e material na Faixa de Gaza, a suspensão temporária dos bombardeios talvez permita um melhor acesso aos feridos que estão nos hospitais, o deslocamento das equipes médicas e o suprimento de produtos vitais (combustível, alimentos, material médico e medicamentos). "Em todo caso, essas medidas parciais, destinadas a acalmar a opinião internacional, não têm efeito contra a violência direta e maciça sofrida pela população", constata Marie-Pierre Allié, presidente de Médicos Sem Fronteiras na França.